É preciso falar de amor

Ah, se eu pudesse falar de amor, se me fosse dada a capacidade de sentir, ver e ouvir o que amantes, no ápice da paixão, sentem. Ah, se eu pudesse falar de amor baseada nas experiências que não deram certo, nos amores não correspondidos, ou naqueles que eu não correspondi. Ah, se qualquer um pudesse falar de amor baseado em uma única experiencia que deu certo ou em uma única que deu errada...! A quantos corações estaria iludindo? A quantos estaria encorajando a se jogar? E a quantos estaria incentivando a construir uma muralha em volta do coração?

É, meu caro, não dá para generalizar, mas eu, mesmo assim, falo de amor. Falo de amor porque o amor deu certo entre aqueles dois velhinhos sentados no banco da praça. Falo de amor porque deu errado pra uma amiga minha. Falo de amor porque vejo minha colega tentando incessantemente; “E tentando o quê?” você me pergunta, tentando encontrar o amor.



Eu falo de amor quando vejo uma criança entregando uma flor arrancada do jardim alheio a professora, falo de amor quando vejo um adolescente cedendo o banco para um idoso. E aí você me interrompe e diz “Mas isso é respeito!”, sim, e também amor. Falo de amor quando vejo um homem qualquer ajudando um deficiente visual a atravessar a rua. Quando uma mulher, atrasada para o trabalho, ajuda uma senhora a carregar as compras.

Eu falo de amor, sim, e além disso, acredito nele. Em um mundo completo de viventes que enchem a boca para dizer que não acreditam no amor, eu transbordo a minha para dizer que sim, acredito.
E você deveria acreditar também. Percebe o quão errado é dizer que não acredita no amor quando chega em casa e há alguém te esperando com a comida pronta, de braços abertos, que te recebe e pergunta “Como foi o dia?”? Percebe que é errado dizer que não acredita no amor quando é ele que move todos os atos de bondade que presenciamos? Quando é ele que está por trás do respeito, da generosidade, da compaixão?

Nós precisamos falar de amor num mundo em que a violência está presente em cada passo. Num mundo em que respiramos uma sociedade corrompida. Num mundo em que o clichê “ter maior que o ser” é verdadeiro. Precisamos falar de amor num mundo em que ele pode ser esquecido, subornado, escondido. Num mundo em que o meu reflexo no espelho conta mais que o como me sinto aqui dentro. Precisamos falar de amor quando eu testemunho todo dia um ato de agressão e cruzo os braços, fecho os olhos, volto-me para o espelho e concluo que: comigo, está tudo bem.

Eu preciso falar de amor quando amor se tornou uma palavra de significado carnal, ou casal. Quando cometer a barbárie de dizer que não acredita no amor está exposto em todas as redes sociais, que o ser humano não tem volta, que somos todos terrivelmente iguais –ressaltando, nessa questão, os piores aspectos. É preciso falar de amor quando a ideologia de gênero está imposta, quando o preconceito está presente, quando QUALQUER tipo de repressão é aceita e, algumas vezes, até bem vista. Eu preciso falar de amor quando igualo a todos como lixo, sem um pingo de humanidade, compaixão, ou qualquer sentimento bom em relação ao próximo.

Eu preciso falar de amor quando ele se perde nas entrelinhas. Quando eu não sei mais o que ele quer dizer. Quando as pessoas banalmente o usam para justificar qualquer ato. Eu assisto o noticiário e concluo que é preciso falar de amor, eu leio comentários de ódio nas redes sociais e a minha conclusão se reafirma.

Ah, meu caro, é preciso, é preciso falar de amor quando ele está em falta.

Ps: com o tempo vocês entenderão porque meu texto de estreia aqui, levou esse título ♥



Um comentário:

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